segunda-feira, 11 dezembro, 2017

AUTOMAÇÃO PODE TIRAR TRABALHO DE ATÉ 800 MILHÕES DE TRABALHADORES ATÉ 2030, DIZ MCKINSEY

A automação de processos nos mais variados segmentos da economia global, aliado ao uso crescente de inteligência artificial, promove ganhos de eficiência e competitividade às empresas, mas também deverá provocar uma relevante reorganização do mercado de trabalho. Estudo realizado pela consultoria McKinsey & Company, com dados de 46 países, estima que, até 2030, de 400 milhões a 800 milhões de trabalhadores no mundo poderão perder o emprego e passar a ver suas atividades exercidas por robôs e máquinas.

Em 60% das ocupações no mundo, concluiu a consultoria, cerca de um terço das atividades já poderiam ser automatizadas. “Nossa pesquisa indica que até 30% das horas trabalhadas no mundo poderão ser automatizadas até 2030, dependendo da velocidade de adoção. No nosso cenário, aplicamos o ponto médio de 15% de automação das atividades atuais”, explica o relatório.

“As atividades mais suscetíveis à automação incluem aquelas que dependem de força física em ambientes previsíveis, como operação de maquinário e preparo de alimentos em redes de fast-food”, relata a consultoria. Também foram apontadas atividades de coleta e processamento de dados, o que pode atingir profissionais da área administrativa. “A automação terá efeitos menores em trabalhos que envolvem gestão de pessoas, uso de expertise e interações sociais, em que máquinas não conseguem ter a performance de um humano por enquanto.”

Esse volume expressivo de cortes, explica a consultoria, deverá ser parcialmente compensado por novos tipos de trabalho decorrentes do emprego de novas tecnologias, assim como pela evolução de questões sociais e demográficas. Entre as tendências com maior potencial de gerar demanda por trabalhadores até 2030 estariam a expansão da renda e consumo, especialmente em economias emergentes; o envelhecimento populacional, que deve demandar profissionais na área de saúde; e o próprio desenvolvimento e aplicação de novas tecnologias.

Ainda assim, uma parcela relevante daqueles que perderem o trabalho em função de avanços tecnológicos precisarão se aprimorar ou buscar colocação em outras áreas. “Do total de pessoas cortadas, de 75 milhões a 375 milhões talvez precisem mudar de categoria ocupacional e aprender novas habilidades”, aponta a McKinsey. Essa mudança [de área], diz o estudo, pode chegar a uma escala não vista desde a transição da força de trabalho dos campos para as cidades, no início dos anos 1900 nos EUA e Europa, e mais recentemente na China.

O movimento de automação das atividades, por sua vez, deverá ser mais forte em economias desenvolvidas. “A parcela da força de trabalho que pode procurar ocupação em outras áreas é muito maior em economias avançadas: até um terço da força de trabalho em 2030 dos EUA e Alemanha, chegando a quase metade no Japão”, projeta a consultoria.

(Estadão)
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