segunda-feira, 25 junho, 2018

Jovem brasileiro não gosta de ler?

O número de jovens brasileiros que gostam de ler está melhorando, mas ainda tem um longo caminho a percorrer. Entre os desafios, estão as questões socieconômicas, que puxam a nossa média para baixo (como incentivar a leitura, se 2,8 milhões de crianças e adolescentes estão fora das escolas?). Ainda assim, as recentes pesquisas mostram que temos alguns motivos para ficarmos um pouco mais otimistas.

Revirando os números

De acordo com pesquisa divulgada pelo Ibope e o Instituto Pró-Livro em maio deste ano, 67% do público leitor no Brasil é composto de jovens com a idade entre 18 e 24 anos – um crescimento de 14% em relação a 2014. A mesma pesquisa aponta que os adolescentes entre 11 e 13 anos são os que mais leem por gosto, sem nenhuma obrigação escolar ou profissional. Ainda tem muito o que melhorar, mas é um começo.

Mas do que eles gostam?

No dia da publicação deste post, o livro que está no topo da lista dos mais vendidos no publishnews é O Diário da Larissa Manoela, sobre a vida de uma atriz teen que faz sucesso entre crianças e pré-adolescentes.

Mas não é só de celebridades que vive este mercado. Uma das séries mais vendidas de 2016 é A Seleção, romance distópico da norte-americana Kiera Cass, que bebe na fonte de Jogos Vorazes – outro sucesso editorial também voltado para a molecada. Entre os integrantes da Turma do Fundão, nosso grupo de leitores consultores com idade entre 14 e 20 anos, dois títulos são campeões de popularidade – Harry Potter e Clube da Luta.

Vamos falar com quem entende do assunto?

A autora Paula Pimenta atingiu a marca de mais de um milhão de livros vendidos em 2016, todos para jovens e adolescentes, virando uma referência nesse tema. Nós conversamos com ela, que deu os seus pitacos sobre a relação jovem/leitura e mostrou que eles estão interessados em muito mais do que 140 caracteres.

Mundo Estranho

Nota piora em Matemática, Linguagens e Ciências da Natureza

O desempenho das escolas no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2015 piorou em Matemática, Linguagens e Ciências da Natureza. As notas só aumentaram em Ciências Humanas e Redação, em relação à edição de 2014. Os dados foram divulgados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais (Inep), órgão responsável pelo exame, nesta terça-feira, 4.

A nota de Matemática recuou de 481 pontos em 2014 para 475 pontos. Em Ciências da Natureza, a queda foi de 487 pontos para 478 pontos. Já em Linguagens, saiu de 511 para 504. Em Ciências Humanas, o aumento foi de 546 pontos para 555 pontos. Em Redação, houve a maior mudança (de 52 pontos): a nota subiu de 491 pontos para 543 pontos.

Para fazer parte do ranking do Enem, os colégios precisavam atender a dois requisitos: pelo menos dez alunos deveriam ter participado do exame e esse número deveria ser igual ou superior a 50% dos estudantes matriculados na instituição. Cerca de 15 mil escolas, das redes pública e particular, tiveram suas médias divulgadas. O nível de participação entre colégios privados é superior ao da rede pública.

As notas apresentadas pelo Inep sobre o Enem de 2014 são distintas das médias por área de conhecimento apresentadas pelo próprio órgão no ano passado. Procurado, o instituto não soube explicar o motivo da diferença e disse que devem ser considerados os valores da divulgação desta terça-feira.

Estadão

O segredo das escolas que brilham no Enem

Nos quatro colégios de Fortaleza campeões do exame, o horário é estendido, os professores são preparados e a meritocracia impera

Pelo segundo ano consecutivo, Fortaleza aparece como destaque positivo no deplorável cenário da educação nacional. Das dez escolas pontuadas com as melhores notas no último Enem, quatro ficam na capital cearense (no ano passado, eram três). O tradicional Colégio Ari de Sá emplacou duas de suas unidades em 2º e 5º lugares, enquanto o Christus aparece em 4º e o Antares, em 9º. Mais abaixo, na 20ª posição, está o Farias Brito, outra instituição com lugar cativo entre as campeãs do exame.

Três fatores principais explicam o sucesso das escolas cearenses no topo do ranking – todas particulares. São eles a jornada escolar quase integral, o sistema de reconhecimento e premiação dos melhores alunos e o investimento maciço no aperfeiçoamento de professores. Todas as quatro escolas já anteciparam parte da reforma aprovada para o ensino médio, com horários estendidos pelo menos duas vezes na semana. As aulas da tarde costumam aprofundar os temas debatidos em sala e são opcionais, atendendo ao interesse de cada aluno.

O diretor do Colégio Christus, José Rocha, atribui o sucesso da escola ao equilíbrio, desde o ensino infantil, entre métodos tradicionais de ensino e atividades que exigem raciocínio e criatividade. “No quadro de honra entram todos os alunos que têm média acima de 8 em todas as disciplinas. Premiamos os melhores, mas sem estimular uma competição destrutiva”, explica. No Farias Brito, a partir da 6ª série do ensino fundamental os melhores alunos são selecionados para as chamadas “turmas olímpicas”. Nelas, recebem aulas de nível universitário e conteúdo mais aprofundado – tudo em nome da preparação para representar o colégio em olimpíadas internacionais de matemática e física. “Preservando-se a ética e a lealdade, os educadores devem, sim, preparar o aluno para competições”, defende o diretor, Tales Cavalcante.

No Colégio Ari de Sá Cavalcante, vice-campeão do Enem, os alunos não são os únicos premiados por bom desempenho. Professores que cumprem o cronograma de aulas, entregam os trabalhos propostos e não faltam ganham bônus de 10% no salário. A própria contratação passa por um sistema rígido de seleção. “Aqui, a meritocracia funciona de ponta a ponta”, diz o diretor-presidente, Oto de Sá Cavalcante. Uma receita simples que, como mostra o ranking do Enem, faz toda a diferença.

Da Veja