domingo, 27 maio, 2018

Terapeuta brasileiro está preso na Rússia por portar chá de ayahuasca

Permitida no Brasil, substância é proibida na Rússia e por isso Eduardo Chianca está sendo acusado de tráfico internacional de drogas

Desde o dia 31 de agosto, o terapeuta brasileiro Eduardo Chianca Rocha, de 66 anos, está preso em Moscou, na Rússia, acusado de tráfico internacional de drogas. Ele foi detido por portar oito litros de chá de ayahuasca, cujo uso é permitido no Brasil e em muitos outros países. A substância tem efeito alucinógeno e é utilizada em terapias e rituais religiosos.

“Ele desconhecia o rigor da lei russa sobre substâncias psicotrópicas que podem dar origem a outras substâncias ilegais. É uma lei recente, de 2013. O Eduardo já frequentava a Rússia uma vez por ano desde 2010 e nunca teve problema lá. Nunca teve problema com o ayahuasca em nenhum país”, disse a sua companheira, Patrícia Alves Junqueira.

O chá contém a substância dimetiltriptamina, que é proibida na Rússia.

Chianca, pesquisador e terapeuta holístico que mora nos arredores do Recife (PE), ministra cursos e palestras de uma terapia chamada “Frequências de Luz”, no Brasil e em outros países. Segundo informações do portal Uol, além da Rússia, onde já concedeu cursos em outras ocasiões, nessa viagem ele também visitaria Ucrânia, Suíça, Holanda e Espanha.

A família de Chianca está desesperada e uniu-se a outras entidades para tentar libertá-lo. Ele também apelam para uma ação direta do governo brasileiro.

“Precisamos que o governo brasileiro fale com o governo russo, para que saibam quem é o Eduardo. Ele não é um ilustre desconhecido, é um palestrante internacional que formou centenas de terapeutas holísticos. Só na Rússia foram cerca de 200 formados”, conta Patrícia.

Ela explica que, ao contrário do que a polícia russa alega, o terapeuta não estava carregando uma droga, e sim uma uma medicina de origem indígena, permitida em seu país, nos Estados Unidos, na Suíça e em vários outros.

Lideranças indígenas, inclusive, que trabalham com o terapeuta em seu sítio nos arredores do Recife, chamado Instituto Plêiades, também manifestaram apoio, escrevendo um apelo ao presidente russo, Vladimir Putin.

“É um absurdo a continuidade disso. É possível encerrar essas investigações, desde que o governo brasileiro interceda diretamente. Pelo caminho jurídico, é longo, penoso e extremamente caro. O Eduardo é um terapeuta que trabalha e reverte todo o fruto de seu trabalho para receber alunos do mundo inteiro. A gente não dispõe de recursos para custear o processo”, lamenta Patrícia.

Ainda de acordo com o portal Uol, os contatos do terapeuta com a família são feitos por meio de representantes do consulado brasileiro em Moscou e do advogado russo que trabalha no caso. Segundo Patrícia Junqueira, Chianca está em um centro de detenção, em uma cela com cerca de 12 pessoas.

Notícias ao Minuto

Air France teme radicalização islâmica de funcionários

Atos de ‘vandalismo’ têm sido registrados pela companhia aérea

Uma série de “problemas técnicos” ocorridos nos aviões da companhia aérea francesa Air France tem suscitado o temor de que funcionários radicalizados por grupos extremistas estejam trabalhando na empresa.

A informação partiu de uma análise de dados divulgada pela publicação “Le Canard Enchainé” e foi amplamente repercutida pela mídia francesa.

Segundo os dados recolhidos, os motores de dezenas de aviões apresentaram problemas nos últimos meses durante a fase de “check list” dos comandantes e a própria empresa teria encontrado a frase “Allah Akbar” (“Deus é Grande”) em cerca de 40 tampas que cobrem o tanque de combustível das aeronaves. A frase é comumente usada por jihadistas antes de cometer atentados terroristas.

Além disso, após uma investigação interna, um funcionário suspeito de extremismo fugiu para o Iêmen e outros dois foram acusados de alterar planilhas nas oficinas da Air France. Outro caso relatado por um piloto da empresa aérea, ocorreu em pista, quando um agente se recusou a ajudar o pouso de um avião porque uma mulher comandava a aeronave.

Oficialmente, a Air France nega que tenha problemas com funcionários. Mas, em novembro do ano passado, uma investigação constatou que pessoas em risco de radicalização, identificadas com a sigla S, tinham cartões de acessos às pistas e às aeronaves. Desde então, 73 dessas autorizações foram retiradas. (ANSA)