Queimadas preocupam gigantes da celulose em Três Lagoas, que investem pesado em tecnologia

Ativo florestal da Eldorado e Fibria totalizam 612 mil hectares de florestas plantadas em Três Lagoas e região. Em tempos de estiagem prolongada é constante a fiscalização no sentido de evitar incêndios

O período de estiagem já está passando, no entanto, alguns cuidados ainda precisam ser tomados, principalmente nos dias em que o sol está mais forte. As queimadas foram, até poucos dias atrás, vistas com frequência tanto na região de Três Lagoas, como nas cidades do interior paulista.

No mês passado, um incêndio destruiu mais de 200 hectares de plantação de eucaliptos em várias propriedades rurais de Ribas do Rio Pardo, deixando prejuízos milionários aos proprietários rurais.

PREOCUPAÇÃO CONSTANTE

Mesmo com as chuvas dos últimos dias, o problema de incêndio é uma preocupação constante para os silvicultores, bem como para as fábricas de celulose que possuem milhares de hectares de eucaliptos plantados em Três Lagoas e região.

Diante desse contexto, o Perfil News entrou em contato com duas empresas de celulose, Fibria e Eldorado Brasil, que juntas detém o maior maciço florestal do Estado e com a Reflore MS, Associação Sul Mato-Grossense de produtores e Consumidores de Florestas Plantadas.

Em resposta, a assessoria de Comunicação da Reflore enviou informações sobre a Campanha de Prevenção e Combate a Incêndios realizada pela Associação. Nela consta a observação feita por Alexandre Pereira, Analista Ambiental do PrevFogo, do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA). Segundo ele, mais de 90% dos incêndios florestais são provocados por ação humana de origem proposital, acidental ou negligência.

QUEIMADAS CONTROLADAS

“Em MS a principal causa que leva aos incêndios florestais é o uso do fogo de forma inadequada, sem as recomendações técnicas necessárias para manter o fogo sobre controle”, observa. No Estado, o fogo é utilizado principalmente na atividade de pecuária com o objetivo de renovar a pastagem nativa. Para o Analista Ambiental, outras atividades relacionadas ao campo também utilizam o fogo, como a limpeza de restos de colheita, de exploração florestal, controle de pragas, entre outros. “Não podemos esquecer que o uso do fogo é permitido por meio das queimas controladas, desde que autorizado pelo órgão estadual de meio ambiente”, diz o especialista em nota encaminhada pela Reflora.

“A Fibria conta com torres de observação equipadas com câmeras que identificam qualquer mudança na paisagem (aparecimento de fumaça ou de veículos, por exemplo). Os dados captados são transmitidos em tempo real para uma sala de controle. Caso haja um alerta, a brigada de incêndio é acionada, permitindo um rápido deslocamento até o local minimizando possíveis danos à floresta”

— Assessoria de Comunicação

CONSEQUÊNCIAS

O impacto causado pelas queimadas é maior do que apenas um pedaço de terra. Ainda de acordo com Alexandre, o impacto é ambiental, com a perda da biodiversidade existente no local, degradação do solo e emissão de gases. Os impactos sociais recaem sobre a esfera da saúde, com o aumento de problemas respiratórios e, em alguns casos, a mudança de local que algumas famílias são obrigadas a ter. A economia também é afetada, se levar em consideração que rodovias e estradas muitas vezes acabam sendo fechadas devido a fumaça, além de aeroportos e a destruição de plantações e a morte de rebanhos.

BRIGADISTA

Por sua vez, a assessoria de Comunicação da Fibria também respondeu ao Perfil News. A empresa informou que detém uma área de 372.234 mil hectares de florestas. Por conta disso, possui uma equipe de brigadistas de mais ou menos cinquenta pessoas para combater os focos de incêndio. Essa equipe também auxilia a cidade de Três Lagoas quando solicitada. “Os brigadistas participam constantemente de treinamentos, reciclagens, capacitações e simulados com foco em gestão e atualização das técnicas para a prevenção e combate a incêndios”, informou a empresa.

O ativo florestal da Fibria e Eldorado Brasil somam mais de 612 mil hectares (Foto: Divulgação)

O ativo florestal da Fibria e Eldorado Brasil somam mais de 612 mil hectares (Foto: Divulgação)
EQUIPAMENTOS

Questionada a respeito dos métodos utilizados pela empresa para combater os focos de incêndio, a Fibria disse que trabalha com um sistema inovador de detecção de incêndios. “A Fibria conta com torres de observação equipadas com câmeras que identificam qualquer mudança na paisagem (aparecimento de fumaça ou de veículos, por exemplo). Os dados captados são transmitidos em tempo real para uma sala de controle. Caso haja um alerta, a brigada de incêndio é acionada, permitindo um rápido deslocamento até o local minimizando possíveis danos à floresta”, detalhou a empresa.

Porém, para melhor eficiência, a indústria possui um canal para que a população também seja participante informando a respeito de focos ou de incêndios de maior proporção. “Se o foco acontecer em áreas de atuação da Fibria, a empresa possui o canal ‘Fale com a Fibria’, e por meio dele, a comunidade pode informar sobre ocorrências de incêndios em florestas de eucalipto ou nativas nas áreas da empresa. A ligação para o número 0800 642 8162 é gratuita”

“A Eldorado possui 11 torres de observação distribuídas em suas áreas florestais, além de 22 brigadas de incêndios treinadas para combate imediato das ocorrências”

— Assessoria de Comunicação

A empresa finalizou dizendo que este ano a equipe de brigadistas está controlando alguns focos porém, todos de pequenas proporções e que são rapidamente combatidos com nossas equipes de brigadas, sem trazer prejuízos à Fibria.

ELDORADO

Outra gigante da produção de celulose e papel instaladas em Três Lagoas é a Eldorado Brasil. Inaugurada em dezembro de 2012, a empresa vai completar 5 anos de atividades. Mesmo com pouco tempo de atuação no mercado, a Eldorado possui uma grande extensão de florestas, totalizando 240 mil hectares utilizados no plantio de Eucalipto.

Falando de Segurança no Trabalho, a empresa enfatiza que todos seus os funcionários são assistidos pelo setor de Segurança da Eldorado, “no exercício de suas funções de forma a minimizar os riscos das mesmas quanto às questões de acidentes e incidentes de trabalho”, disse à empresa que, perguntada sobre pessoas morando em suas terras, informou que mantém a prerrogativa de não manter unidades habitacionais. “Esta prerrogativa assegura a minimização de riscos para seus ativos florestais bem como a eliminação de qualquer caracterização de semelhanças a trabalho escravo as quais são expressamente banidas e proibidas em todas as áreas da companhia”.

O problema de incêndio é uma preocupação constante para os silvicultores, bem como para as fábricas de celulose (Foto: Divulgação)

O problema de incêndio é uma preocupação constante para os silvicultores, bem como para as fábricas de celulose (Foto: Divulgação)
SEGURANÇA CONTRA INCÊNDIOS

A Eldorado enfatizou que desde sua implantação abusa da tecnologia para prevenir acidentes e situações como as das queimadas. Desta forma a empresa implantou um sistema de monitoramento com câmeras de última geração e com qualidade de imagem em HD, as quais captam ocorrências de focos de incêndios, bem como enviam imagens em tempo real do status das áreas florestais da empresa.

O sistema adquirido realizada detecção automática de focos de incêndios com alarmes automatizados e visualização em 360º com monitoramento em tempo real e operação de 24 horas por dia. A Eldorado detalhou ainda que possui 11 torres de observação distribuídas em suas áreas florestais, além de 22 brigadas de incêndios treinadas para combate imediato das ocorrências.

Do Perfil News